sábado, 15 de setembro de 2012

RUSSOMANNO É ACUSADO DE PAGAR FUNCIONÁRIA DE SUAS EMPRESAS COM DINHEIRO PÚBLICO DA CÂMARA


Russomanno e Fabianne: um acordo bom para ambas as partes. E o contribuinte?

No dia 8 de agosto, Celso Russomanno cumpriu um compromisso dissociado da agenda de candidato. Compareceu à 43ª Vara do Trabalho de São Paulo. Ali, defrontou-se com Fabiane Ensinas Brejan, uma ex-funcionária de suas empresas que movia contra ele uma ação trabalhista.
Russomanno celebrou com Fabiane um desses acordos que, como telerepórter, ele costuma classificar de “bom para ambas as partes.” Em troca do encerramento da demanda, o candidato do PRB concordou em pagar à ex-funcionária uma indenização de R$ 205 mil. A coisa morreria aí não fosse um detalhe.
Os repórteres Leopoldo Mateus e Angela Pinho relatam: Fabiane conta na ação que seu nome figurou na folha de salários da Câmara dos Deputados por quatro meses –de setembro de 2010 a dezembro de 2010. Embora trabalhasse nas empresas de Russomanno, recebia pelo gabinete do então deputado: R$ 3.141,62 mensais.
Segundo relata Fabiane na ação, havia no gabinete de Russomanno mais 12 funcionários na mesma situação, “inclusive alguns domésticos”. Gente com a situação trabalhista irregular que Russomanno acomodava na folha da Câmara, de modo a assegurar que os salários saíssem das arcas públicas.
Fabiane tabalhou para Russomanno por quase oito anos. Alegou na ação que, entre o final de 2004 e o começo de 2012, foi submetida a assédio moral. Segundo consta dos autos, o chefe Russomanno frequentemente a chamava de “burra” e “anta”. Algo que lhe teria afetado a saúde.
A ex-funcionária de Russomanno pôs à disposição da Justiça “um robusto material gravado”. Não foi preciso usar. Por alguma razão, Russomanno entendeu que deveria fechar um acordo que fosse bom também para ele.
Vai pagar os R$ 205 mil a Fabiane em dez parcelas. Desse total, R$ 62.300 referem-se a uma indenização pelo assédio moral. O resto diz respeito ao passivo trabalhista: R$ 109.700 de férias, R$ 12.300 de FGTS não depositado, R$ 11.800 de vale-refeição, R$ 5.700 de multa.
Russomanno concordou em pagar até uma indenização de R$ 3.100 por ter prometido a Fabiane uma bolsa de estudos e não ter honrado a promessa. Resolvida a encrenca quanto ao interesse das partes, fica boiando na atmosfera uma indadação: e quanto ao contribuinte, como repará-lo pelas suspeitas de violações praticadas na Câmara?
Na ação trabalhista, Fabiane requereu que os fatos narrados fossem informados ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral. Algo que, por ora, não foi feito. A Câmara informou que, de fato, o nome de Fabiane constrou da folha salarial da Casa. Procurado, Russomanno absteve-se de fazer comentários.

O DESCASO DA ADMINISTRAÇÃO KASSAB

Sem creche no Jardim Gaivotas, mãe não consegue começar a trabalhar - Fotos: Danilo Ramos/ RBA

São Paulo não consegue sequer identificar a real demanda para creches

Apenas 26,8% das crianças de 0 a 3 anos têm acesso a educação infantil no município de São Paulo, sendo que 70% delas estão em instituições conveniadas.

Jandina de Sá, de 17 anos, caminha com o filho de um ano e cinco meses pelo bairro Jardim Gaivotas, extremo sul da cidade de São Paulo. Está apressada. Todos os dias ela faz a pé quatro caminhadas de 40 minutos, com o bebê nos braços, para levá-lo e buscá-lo na creche, instalada no bairro Jardim Cocaia, vizinho ao Gaivotas, que ainda não possuí uma instituição pública de educação infantil.
Assim, sobra pouco tempo, inclusive para arrumar um trabalho, principal objetivo de Jandina quando decidiu matricular o filho. “O fato de não ter creche no bairro faz muita diferença. Ele sai às 16h20 e só chegamos às 17h. Venho com ele na rua na chuva ou no sol”, conta.
Sua outra opção era fazer como a auxiliar de limpeza Jaciara Barbosa, que paga R$ 70 mensais para uma empresa privada de transporte escolar levar e buscar a filha de 2 anos em uma creche, também no Cocaia, numa vaga conquistada depois de um ano de espera. “Aperta o orçamento?”. “Ô! Faz muita diferença. Você vai ver um serviço e o salário é R$ 500. Como vai pagar perua?”.
Com a falta de creches e a grande demanda – já que dos 24.706 habitantes do Jardim Gaivotas, 4 mil são crianças – empresários abriram três escolas particulares de educação infantil no bairro, que custam entre R$ 150 e R$ 200 por mês. Os mesmos valores cobram as mulheres autônomas para olhar crianças, como Josefina Chagas, que há oito meses cuida diariamente de uma menina de três anos. “Sei que para mãe dela o valor é alto porque ela ainda paga aluguel, mas não tem creche. Comigo a menina só fica em casa vendo TV e não tem contato com outras crianças”. 

A situação pode mudar no começo de outubro, quando o bairro deve receber sua primeira escola de educação infantil, fruto de mobilização da comunidade. Em um terreno ainda coberto de entulho, será instalada a creche Criança Feliz. Conveniada à prefeitura, a creche vai se mudar do vizinho Cocaia – que já possui outras instituições funcionando no mesmo esquema – para o Gaivotas. Num primeiro momento, a instituição deve atender apenas 115 bebês.
O Plano Diretor do Município de São Paulo, que neste mês completa 10 anos, já previa na época de sua elaboração “ampliar atendimento a crianças de 0 a 3 anos de idade em CEIs – Centros de Educação Infantil das administrações direta e conveniada”.
Ainda assim, apenas 26,8% dos bebês paulistanos estão matriculados em creches, de acordo com dados do Censo Escolar. Até junho, 145.221 crianças de zero a três anos esperavam por uma vaga em creche em São Paulo, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Educação.
Devido a dificuldade de atender a demanda, o Ministério Público do Estado de São Paulo está responsabilizando judicialmente o prefeito Gilberto Kassab (PSD) por não disponibilizar vagas suficientes em creches. O promotor que acompanha a ação, João Paulo Faustinoni, explica que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece o direito à educação infantil. “A ação contra o prefeito é de improbidade administrativa. Nossa argumentação se baseia no descumprimento do princípio de eficiência administrativa, que é constitucional”.
A coordenadora da organização não-governamental Ação Educativa, Denise Carreira, diz que o número de crianças sem creches é maior que o divulgado pela prefeitura. “Essa é a demanda registrada, mas com certeza a real é muito maior. Além disso, no atendimento da educação infantil, sobretudo de 0 a 3 anos, quase 70% das vagas são oferecias por meio de convênios. O investimento direto foi pequeno”.
A prefeitura de São Paulo confirma, via assessoria de imprensa, que a demanda por vagas em creches é contabilizada apenas pelo número de pais ou responsáveis que  procuram vagas, por meio de um Cadastro no Sistema Informatizado.
Demanda não computada
A dificuldade de levantar o real déficit de vagas em creches já devia ter sido superada se a cidade tivesse elaborado e aplicado “um censo educacional da Cidade com o objetivo de detectar as reais demandas existentes”, como previa o Plano Diretor, elaborado em 2002. “Com um diagnóstico das necessidades da população é possível oferecer serviços melhores”, avalia a coordenadora do grupo de trabalho de educação da Rede Nossa São Paulo, Ananda Grinkraut.
“Um censo seria muito importante para ampliar o acesso porque a demanda cadastrada não corresponde a real, tanto para as creches quanto para o EJA [Educação de Jovens e Adultos]”, afirma a Ananda. “Aí a gente acaba tendo um circulo vicioso no EJA porque a prefeitura diz que não há demanda, mas se não realiza campanhas para incentivar o retorno a escola ele não acontece de maneira espontânea”.
Apesar do Plano Diretor apontar que é preciso “promover ampla mobilização para superação do analfabetismo”, “ampliar a oferta de vagas” na EJA e “promover esforços para ampliação de cursos no período noturno” o número de alunos matriculados na Educação de Jovens e Adultos diminuiu nos dez anos de vigência do documento - caindo de 199.241 em 2002 para 137.725 em 2012, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A cidade ainda possuí 283.472 analfabetos, segundo o Censo de 2010. São Paulo e sua região metropolitana somam 4.131.000 de pessoas sem instrução ou com até 4 anos de estudo, mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2009, último levantamento sobre o tema.
No Jardim Gaivotas, as salas de aula de EJA correm o risco de integrarem, em breve, os números de turmas fechadas pela prefeitura. Com a ameaça em vista, os alunos estão organizando um abaixo assinado para impedir o fechamento das turmas na Escola Estadual Loteamento das Gaivotas II, endereçado ao dirigente regional de ensino, Samuel Alves dos Santos. Eles reivindicam que a Secretaria de Educação “permita a permanência do nosso ensino de EJA, pois é onde podemos ter uma segunda chance de recuperar nossos estudos”, de acordo com o enunciado do documento.
Além dessa escola voltada para alunos entre a  de 5ª e a 8ª série, existem mais duas instituições de ensino estaduais no bairro: a E.E. Loteamento das Gaivotas I, de 1ª a 4ª série e a E.E. Loteamento das Gaivotas III, para o ensino médio. As unidades ainda são de lata e, sem estrutura adequada de saneamento básica, despejam esgoto na encosta do barranco onde estão instaladas. Não há instituições de ensino municipais no bairro.
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo informou, via assessoria de imprensa, que as turmas de EJA devem ser mantidas até o final deste ano e, dependendo da demanda,  podem ser unificadas com as turmas da EE Loteamento das Gaivotas III.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

VAI, R E J E I T A D O !


Em queda e com rejeição recorde, Serra desaparece das fotos de aliados.

Cartazes, 'santinhos' e cavaletes de candidatos a vereador em São Paulo ocultam o nome do tucano, ou tentam reduzi-lo ao mínimo, em contraste com os adversários, que recebem espaço generoso na publicidade dos aliados.

São Paulo – Se, como se diz, uma imagem vale mais do que mil palavras, a campanha de José Serra (PSDB) está definitivamente com problemas, e não é apenas nas pesquisas. Os candidatos do PSD, partido de Gilberto Kassab, do PV, do PR, do DEM e em alguns casos até do PSDB não mostram a figura de seu candidato a prefeito. Nos materiais de campanha como “santinhos”, cavaletes e cartazes, ele é no máximo citado em caracteres muitas vezes quase invisíveis, só legíveis a curta distância. Fotos de Serra ao lado dos postulantes a uma cadeira na Câmara Municipal pela coligação PSDB/PSD/DEM/PR/PV não são vistas.
A reportagem da Rede Brasil Atual percorreu a cidade e diversos redutos de candidatos da coligação e não conseguiu fotografar sequer uma imagem de Serra junto a seus supostos apoiadores e candidatos ao Legislativo, ao contrário dos outros postulantes a chefiar o Executivo municipal. Imagens de Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e Carlos Giannazi (PSOL) são vistas em profusão ao lado de seus candidatos a vereador. Celso Russomanno (PRB) aparece em muitas bandeiras e material próprio, sozinho. Serra nem isso.
Ao entrar no comitê do vereador e candidato à reeleição David Soares (PSD), por exemplo, na região central, e pedir um “santinho” da campanha questionando se ele está com o candidato tucano à prefeitura, ouvimos a seguinte resposta: “É o partido do vereador que é aliado ao partido de Serra. Mas você pode votar no nosso candidato e no candidato à prefeitura que preferir”, explica um cabo eleitoral.
No extremo leste da cidade, em Guaianases, onde fica o comitê do vereador Milton Ferreira (PSD), um veículo de sua campanha mostra o termo “Serra 45” muito timidamente, quase “caindo” do automóvel. No comitê, seus cabos eleitorais garantem que são fiéis à aliança com Serra e reforçam o bordão de que ele é o mais preparado para administrar a cidade, pela qual, dizem, já fez muito.
No entanto, o comitê do dr. Milton Ferreira, como é conhecido, tem nas paredes fotos dele com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o ex-ministro Ciro Gomes, com o deputado federal Roberto Freire (PPS-SP), entre outros. Mas não se vê nenhuma imagem com José Serra, nem nas paredes nem no material de campanha.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A REJEIÇÃO AO INFELIZ DO CANDIDATO DO PSDB


Rejeição recorde impedirá Serra de circular nas ruas de SP, diz Haddad

O candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira (12) que o adversário José Serra (PSDB) está batendo recordes de rejeição e "daqui a pouco não vai poder circular pela cidade".

O petista reagiu com irritação à nova propaganda tucana que o associa aos colegas de partido José Dirceu e Delúbio Soares, réus no processo do mensalão, e ao ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que o apoia.

Haddad acusou Serra de "confundir, iludir e desinformar" o eleitor e fez referência ao aumento do seu índice de rejeição, que chegou a 46%, segundo o Datafolha. É o maior patamar alcançado por um candidato desde o início da campanha.

"Ele está batendo recordes atrás de recordes de rejeição. Ele daqui a pouco não vai poder circular pela cidade", afirmou. "A baixeza de José Serra é conhecida, e ele está pagando por isso. A população repudia o estilo dele de fazer política."

O petista disse ver "um pouco de desespero" no adversário, mas que já esperava virar alvo na TV qualquer que fosse a sua situação nas pesquisas. Os dois estão tecnicamente empatados em segundo lugar.

"Não é só uma questão de decadência política. É um problema de estilo", disse Haddad. "Ele é useiro e vezeiro em baixar o nível da campanha. Ele não consegue terminar uma campanha em nível elevado. Não consegue. É da genética dele."

O candidato ainda fez uma menção velada ao fato de Serra ter renunciado à prefeitura em 2006 para concorrer ao governo do Estado, um dos principais motes de sua propaganda contra o tucano.

"Eu sou um professor universitário, tenho uma biografia honrada. Eu honrei os cargos que ocupei, ao contrário dele, que assumiu compromissos que não honrou", disse.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

QUASE 600 INCÊNDIOS EM FAVELAS...




Desde 2008, a maior cidade do país assiste ao aumento do número de casos, quase 600, 32 só neste ano. A CPI criada pela Câmara Municipal para investigar as causas é dominada pela base do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e não anda.

Dominada por base de Kassab, CPI dos incêndios 'não começou', admite presidente
Mais uma reunião termina sem quórum e presidente de colegiado, aliado do prefeito, cogita pedir substituição de integrantes para que investigações ao menos tenham início; moradores de favelas incendiadas não foram ouvidos
Novo incêndio em favela de SP provoca protestos contra condições de moradia
Moradores reclamam de promessas da administração Gilberto Kassab que ficam apenas no papel
Presidente de CPI dos Incêndios em Favelas vê chance 'muito remota' de convocar Serra
Após reportagem da Rede Brasil Atual que mostrou que o ex-prefeito desativou programa de prevenção de incêndio, Ricardo Teixeira se reúne com assessores jurídicos e promete um posicionamento
Serra desativou programa de prevenção de incêndios em favelas em São Paulo
Gilberto Kassab teve a chance de reativar o projeto, de baixo custo e testado na gestão de Marta Suplicy, mas preferiu editar um decreto para um programa que não recebeu recursos até hoje
Incêndios em favelas de São Paulo
Desde 2008, a maior cidade do país assiste ao aumento do número de casos, quase 600, 32 só neste ano. A CPI criada pela Câmara Municipal para investigar as causas é dominada pela base do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e não anda
Desabrigados de incêndio em São Paulo não receberam abrigo da prefeitura
As 46 famílias que perderam suas moradias em incêndio ocorrido no último sábado (18) dependem da ajuda parentes; Defesa Civil afirma que afetados não solicitaram ajuda
Após mais quatro incêndios, CPI das favelas em São Paulo realiza primeira reunião
Devido à demora em iniciar as investigações, vereadores tentarão prorrogar trabalhos da comissão até o final do ano

FONTE: 
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/incendios-em-favelas-de-sao-paulo/