quinta-feira, 14 de março de 2013

FUMAÇA BRANCA E SOMBRIA...

Há tanta HIPOCRISIA e MENTIRA nesse teatro chamado PLANETA TERRA, que chego a pensar que os verdadeiros protagonistas e donos da verdade, nua e crua, são os animais irracionais, porque os "RACIONAIS" estão na cena errada.
(Wagner Marins)


Novo papa é associado a sequestros de jesuítas e bebê durante ditadura argentina

Cardeal se orgulha de amizade com um dos comandantes da Junta Militar que em sete anos deixou 30 mil mortos, e foi chamado a depor em vários processos
São Paulo – Anunciado hoje (13) como novo papa em uma votação tida como surpreendente, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio é investigado dentro de seu país pela colaboração com a ditadura. Nos dois processos mais famosos, responde pela ajuda que teria dado ao sequestro e à tortura de dois jesuítas e à apropriação de bebês, prática comum do último regime militar (1976-83).
A participação de Bergoglio no governo responsável pela morte de 30 mil pessoas é antiga e famosa, mas os sinais mais claros surgiram ao longo da última década, quando, após a derrubada de leis que protegiam os repressores do passado, foi possível dar início a julgamentos. O próprio cardeal se orgulhava das boas relações com o comandante da Marinha Emilio Massera, integrante da primeira Junta Militar e responsável, em 1955, por derrubar Juan Perón durante a autodenominada Revolução Gloriosa – um golpe de Estado, na realidade.
Foi na Marinha que se formou o principal campo de concentração do regime iniciado em 1976. A Escola de Mecânica (Esma, na sigla em castelhano) recebeu 5 mil prisioneiros, e menos de 200 deles saíram com vida. A causa Esma é uma das principais iniciadas nos últimos anos, e tem resultado em desdobramentos que alcançaram Bergoglio.
Ciente disso, e ansioso pela possibilidade de assumir o papado em caso de renúncia de Joseph Ratzigner, Bento XVI, Bergoglio encomendou em 2010 uma operação de "limpeza" de seu nome. Segundo reportagem do jornal argentino Página12, o livro El Jesuíta foi escrito com a intenção de desfazer as más impressões criadas em torno do religioso pelo período em que comandou a Companhia de Jesus, entre 1973 e 1979.
Em 2010, juízes do Tribunal Oral Federal número 5 foram até a sede do arcebispado de Buenos Aires tomar o depoimento do cardeal, acusado de trabalhar pelo sequestro e pela tortura de dois jesuítas em 1976. Naquele momento, Bergoglio comandava a Companhia de Jesus em San Miguel, e uma série de testemunhos o conectam ao crime. 
Francisco Jalics e Orlando Yorio, as próprias vítimas do sequestro, acusam Bergoglio de havê-los denunciado, em uma operação policial na qual desapareceram Mónica Candelaria Mignone,María Marta Vázquez Ocampo e Martha Ocampo de Vázquez. Em 2011, o jornalista Horacio Verbistky descobriu um documento do Ministério das Relações Exteriores e Culto da Argentina que corrobora a suspeita. Naquele momento, Jalics, húngaro, havia feito um pedido de renovação de seu passaporte. O informe da chancelaria aponta que Bergoglio apontou que havia “suspeitas de contato com guerrilheiros” e “conflitos de obediência”. A solicitação do jesuíta foi negada.
Em 2010, o médico Lorenzo Riquelme, então com 58 anos, declarou que o grupo que o sequestrou e torturou saiu da sede da Companhia de Jesus. Militante da Juventude Peronista e do movimento cristão, Riquelme deu a declaração com base no que foi dito a sua mulher, também raptada. Ela trabalhava no Observatório de Física Cósmica de San Miguel, que passou de um reduto peronista a um lugar de atuação de homens infiltrados da Marinha e sob controle de Bergoglio. 
Mom Debussy, um jesuíta que tinha a confiança de Bergoglio, afirmou que algumas vezes o cardeal lhe contou sobre os projetos de Massera, sempre demonstrando simpatia pelo regime, e que pretendia vender à Marinha o Observatório de Física. Debussy disse ainda que os trabalhadores do Observatório eram demitidos pelo religioso depois de voltar das sessões de tortura.
Outro documento oficial, datado de 1976, narra o que o líder religioso defendeu a comandantes militares. Advogou esclarecer a posição da Igreja Católica, de suporte ao regime, afirmando que “de nenhuma maneira pretendemos formular uma posição de crítica ao governo”, dado que um fracasso “levaria, com muita probabilidade, ao marxismo”. 
Em 2011, veio à tona a possível participação de Bergoglio em um caso de sequestro de bebês, uma prática adotada pelo regime, que executou várias mulheres grávidas ou com filhos pequenos. O Tribunal Oral Federal número 6 convocou o cardeal a depor no processo de Estela de la Cuadra, uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio. Segundo Estela, o agora papa tem relevantes informações sobre o desaparecimento de sua sobrinha, Ana, roubada dos braços da mãe em uma delegacia de La Plata, cidade vizinha a Buenos Aires. 
No mesmo ano, a Justiça francesa determinou que o Judiciário argentino tomasse o depoimento de Bergoglio pela suspeita de participação no desaparecimento de um padre francês que morou na Companhia de Jesus. O testemunho de uma monja em 1984 já indicava a relação do então chefe da congregação com o sequestro que resultou nas mortes de Gabriel Longueville e do sacerdote Carlos de Dios Murias.
Publicado em 13/03/2013, 17:35
Última atualização às 17:43

quarta-feira, 13 de março de 2013

GOVERNO ANUNCIA R$ 265 MILHÕES PARA COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


Investimento será destinado à construção da Casa da Mulher Brasileira, uma em cada capital e no DF, em prevenção e em programas como melhoria na coleta de provas de crimes sexuais.


São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff lançou hoje (13), em Brasília, o programa Mulher, Viver Sem Violência, que prevê a construção de 27 centros especializados de atendimento às mulheres em situação de violência, um em cada capital de estado e um no Distrito Federal. Neles serão prestados serviços públicos de segurança, justiça, saúde, assistência social, acolhimento, abrigamento e orientação para o trabalho, emprego e renda, todos no mesmo local. 

A expectativa do governo federal é atender a 200 mulheres por dia em cada centro, já chamado de Casa da Mulher Brasileira, e a 72 mil por ano em cada um deles. O programa será implementado em parceria com os governos estaduais e municipais.

Em dois anos, serão investidos R$ 265 milhões, sendo R$ 137,8 milhões, em 2013, e R$ 127,2 milhões, em 2014. Serão aplicados R$ 115,7 milhões na construção dos prédios e nos custos de equipagem e manutenção, R$ 25 milhões na ampliação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180; R$ 13,1 milhões na humanização da atenção da saúde pública; R$ 6,9 milhões na humanização da perícia para aperfeiçoamento da coleta de provas de crimes sexuais, e R$ 4,3 milhões em serviços de fronteira. Em cinco campanhas educativas de conscientização serão investidos mais R$ 100 milhões.

Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, o montante do programa corresponde ao aumento de perto de 20% em relação aos valores repassados pelo governo federal a estados e municípios, no período de 2003 a 2012, R$ 219,8 milhões por meio de pacto federativo.

“Nós teremos tolerância zero à violência contra a mulher. Contra todas as formas de violência, da mais abjeta, a violência doméstica, às diferenças nos salários e oportunidades de emprego. Este combate tem de estar casado com medidas que promovam a autonomia da mulher. Esta é uma luta do governo, de todas as mulheres, da humanidade”, afirmou a presidenta em seu discurso durante o lançamento do programa.

O programa também vai investir na implementação de núcleos de proteção em pontos da fronteira para reforçar o combate ao tráfico de mulheres e também tráfico de drogas para combater o uso de mulheres neste tipo de crime. “A mulher tem um papel fundamental na estrutura familiar brasileira e um segmento extremamente importante. As mulheres são titulares de 93% do Bolsa Família, 47% do Minha Casa Minha Vida”, disse a presidenta.



Publicado em 13/03/2013, 14:30
Última atualização às 15:04

quarta-feira, 6 de março de 2013

AUTÊNTICO, HUGO CHÁVEZ NÃO MEDIU PALAVRAS CONTRA ADVERSÁRIOS POLÍTICOS


Eu começaria a dizer o que vou dizer com a palavra "INCRÍVEL", no sentido de inconformismo com o que se vê aqui e lá fora.

Mas já não é mais INCRÍVEL constatar que a grande preocupação e atenção de uma grande parcela de brasileiros e brasileiras está voltada para BIG BROTHERS e MORTE DE VOCALISTA CHORÃO, do que a perda de um REVOLUCIONÁRIO SOCIAL!

Não é mais INCRÍVEL, porque numa terra de ALIENADOS toda sorte de imbecilidade é possível e viável, na cabeça deles.

Todavia, tenho que dizer mais uma vez: L A M E N T Á V E L !

(Wagner Marins)
Quem mais sofreu com o veneno discursivo do presidente venezuelano foi George W. Bush, que governou os Estados Unidos entre 2001 e 2009
São Paulo – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu na tarde de ontem (5) vítima de um câncer na região da pélvis, mas deixou uma herança política que será lembrada – e sentida – por muitos anos dentro e fora do país. Boa parte dessa herança está registrada em vídeo. São declarações e atitudes que, durante os 14 anos de seu governo, foram definindo a personalidade e o estilo do presidente - debochado, agressivo ou solidário, mas sempre autêntico.
Hugo Chávez apareceu pela primeira vez aos venezuelanos como o militar paraquedista que liderou uma tentativa de golpe de Estado contra o presidente Carlos Andés Pérez em 1992. "Companheiros, no momento não alcançamos nossos objetivos. Aqui em Caracas, não conseguimos controlar o poder", diria em cadeia nacional de rádio e tevê.
"Já é tempo de evitar mais derramamento de sangue. Deponham as armas. Assumo toda a responsabilidade deste movimento militar." Então, comandava o Movimento Bolivariano Revolucionário 200. (MBR200), nascido no seio das forças armadas contra a situação de extrema pobreza e concentração de renda vivida pelo país petroleiro - e que três anos antes, em 1989, havia possibilitado a rebelião popular conhecida como Caracazo.
Em 2007, durante uma Cúpula Ibero-Americana realizada em Santiago, no Chile, evento que reúne os presidentes da América Latina, Portugal e Espanha, Hugo Chávez teve um pequeno bate-boca com o então primeiro ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero, sobre a participação do país europeu na tentativa de golpe de Estado contra Hugo Chávez, em 2002. Na época, a Espanha era governada por José María Aznar, a quem o presidente venezuelano chamou "fascista" por seu apoio à conspiração. Zapatero pediu respeito aos espanhóis que haviam escolhido Aznar como governante. Chávez retrucou e o rei Juan Carlos I resolveu intervir: Por que não cala a boca?
O principal alvo dos ataques verbais de Hugo Chávez foi definitivamente George W. Bush, que governou os Estados Unidos entre 2001 e 2009. Em 2006, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente venezuelano subiu ao palanque para discursar um dia depois que seu colega norte-americano. "Ontem, o diabo esteve aqui", disse, enquanto fazia o sinal da cruz para se benzer. "Ainda cheira a enxofre esse lugar." Conseguiu arrancar risos da plateia – formada por líderes de governo e diplomatas – e alguns aplausos.
Sem papas na língua, Hugo Chávez dedicou alguns minutos de um pronunciamento televisivo em 2006 para chamar George W. Bush de burro, ignorante, covarde, assassino, genocida, alcoólatra, doente mental etc. E brincou, em inglês. "You're a donkey, Mr. Danger", apelidando o presidente dos Estados Unidos de Sr. Perigo. Disse que esperaria pessoalmente Bush no campo de batalha caso Washington decidisse invadir a Venezuela.
Um dos principais projetos de Bush para a região, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) foi outro alvo preferencial de Hugo Chávez. Contra as tentativas dos Estados Unidos de estabelecer acordos econômicos multilaterais com todos os países da América Latina, o presidente venezuelano impulsionou a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), mais tarde rebatizada como Aliança Bolivariana para as Américas. A Cúpula das Américas realizada em Mar del Plata, Argentina, em 2005, simbolizou o enterro do projeto norte-americano para a região. Foi quando, em discurso, Chávez mandou a Alca ao caralho.
Ao assumir pela primeira vez a presidência da República em 1998, Hugo Chávez fez o juramento como chefe de Estado com a mão esquerda sobre a Constituição que, durante a campanha, prometeu reescrever. Por isso, durante a solenidade, quebraria o protocolo e classificaria a Carta como "moribunda". Um ano mais tarde, em 1999, o país aprovaria em referendo popular a nova Constituição Bolivariana da Venezuela.
Hugo Chávez também causou polêmica ao condenar "do fundo de sua alma e suas víceras" o Estado de Israel como "terrorista e assassino". "Maldito seja", disse, em 2010. Na ocasião, o presidente criticava o ataque do exército israelense à embarcação turca que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, então sitiada pelos vizinhos judeus. "Viva o povo palestino."
Em 2008, Hugo Chávez não gostou de saber que os Estados Unidos haviam expulsado de Washington o embaixador da Bolívia. Em solidariedade, o presidente venezuelano deu 72 horas para que o representante norte-americano em Caracas deixasse o país. Também se adiantou e chamou de volta o embaixador venezuelano nos Estados Unidos. "Quando haja um governo digno nos Estados Unidos, mandaremos um embaixador", alfinetou, em mais um ataque a Bush. "Vão ao caralho, yankees de merda! Aqui há um povo digno."
Em 2009, depois de participar de uma Assembleia Geral da ONU, Hugo Chávez concedeu uma entrevista ao famoso apresentador da CNN, Larry King, direto da embaixada da Venezuela nos Estados Unidos. Respondeu a todas as perguntas feitas pelo jornalista, que o questionou sobre suas declarações e atitudes antiamericanas.
Uma daquelas inexplicáveis coincidências do destino se expressa no vídeo abaixo, de 2004, quando Hugo Chávez, ainda em seu primeiro mandato como presidente após a aprovação da nova Constituição, anunciava que dentro de dois anos haveria eleições e que ele concorreria à presidência apenas mais uma vez. "Ficarei até 2013. Depois disso, não." Profético.

Publicado em 06/03/2013, 11:20
Última atualização às 13:41

sábado, 2 de março de 2013

EM SP: DOCUMENTÁRIO QUER EXPLICAR AOS JOVENS AS ORIGENS DO GOLPE DE 1964

Cena de '1964: Um Golpe Contra o Brasil', que tem primeira exibição pública neste sábado, em São Paulo
Foto: Divulgação

Produzido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e pela TVT, filme vai expor participação de industriais, latifundiários e dos EUA no movimento que levou à ditadura


O permanente processo de reconstrução da história brasileira contemporânea ganhará mais um tijolo no próximo sábado (2), quando estreia o documentário 1964: Um golpe contra o Brasil. Dirigido pelo jornalista, escritor e artista plástico Alípio Freire, o filme pretende lançar olhares militantes – alguns novos, outros nem tanto – sobre o contexto político, econômico, social e internacional que levou à conspiração cívico-militar contra o presidente João Goulart e aos 21 anos de ditadura que vieram depois.
Em aproximadamente 120 minutos, com testemunhos e muita pesquisa, Alípio Freire tentará dar conta de cinco anos da história brasileira que compreendem os antecedentes imediatos e as primeiras consequências do golpe: o filme começa em 1960, com a eleição do presidente Jânio Quadros, e vai até agosto de 1964, com a nomeação do general Castello Branco como chefe do governo.
Alípio levou cerca de um ano para filmar e montar essa narrativa. Produzido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, contou com o apoio da TVT e de uma verba de R$ 80 mil da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, liberada por uma emenda parlamentar do deputado Adriano Diogo (PT), que preside a Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva na Assembleia Legislativa.
O diretor de 1964: Um golpe contra o Brasil atendeu à reportagem da RBA pelo telefone, enquanto realizava os últimos retoques no filme. Segundo Alípio, a principal motivação do documentário é explicar aos jovens brasileiros as origens do golpe a partir do olhar da geração de resistiu à ditadura.
"O golpe voltará à tona no ano que vem porque cumprirá 50 anos", lembra. "É importante que prestemos informações sobre o que foi o golpe, qual eram os projetos em jogo, qual foi a participação dos Estados Unidos, dos industriais brasileiros, dos latifundiários, enfim, da direita brasileira articulada com os interesses internacionais. Esse assunto não costuma ser tratado no país."
Na entrevista, Alípio Freire dá mais detalhes sobre o documentário, comenta os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade e revela sua esperança de que os criminosos da ditadura respondam pelo que fizeram.
Ex-militante da Ala Vermelha, preso por cinco anos, Alípio Freire dirige documentário sobre o golpe
Foto: MAV-PT-SP
Por que mais um documentário sobre o golpe militar?
Entendemos que as ações que até agora foram tomadas para elucidar os episódios que levaram ao golpe militar são fragmentadas, e a maioria das versões que conhecemos foi divulgada por fontes oficiais ou que ajudaram na articulação do golpe, como os veículos da grande mídia brasileira. Nosso olhar é um olhar de esquerda, de gente que resistiu ao golpe. Quem tem menos de 50 anos, ou seja, todos os que nasceram depois de 1964, poderá agora conhecer nosso olhar sobre essa história e entender porque resistimos ao golpe e ao regime que foi implantado logo depois.
Temos uma Comissão Nacional da Verdade funcionando, a Comissão da Anistia que já tem alguns anos de trabalho. Nesse contexto, o filme se torna ainda mais importante. Os que fomos perseguidos pela ditadura, e sobretudo os que foram assassinados e desaparecidos, vemos que a instalação dessas comissões oficiais como um grande e merecido gesto de solidariedade por todas as atrocidades que aconteceram. No entanto, é preciso que toda a população possa contar também as nossa versão e nossas informações dos fatos. Devem saber quem foram os personagens dessa história, pra que não seja enrolada e compre gato por lebre.
Quando você vê jovens querendo recriar a Arena, partido que deu ares de legalidade institucional à ditadura, isso é assustador. Se estão querendo refundá-lo, tenho certeza de que é por falta de informação. Por isso, precisamos contar. Porém, o que esses jovem vão fazer com essas informações, já não é mais nossa responsabilidade. Mas é preciso que possam ao menos refletir.
Quais as grandes qualidades do filme?
O documentário consegue esclarecer alguns pontos obscuros da nossa história, como por exemplo, quais eram os objetivos que levaram à renúncia do presidente Jânio Quadros e como se deu essa renúncia. Outro exemplo: por que João Goulart se retirou pra Montevidéu, no Uruguai? Não somos os primeiros a tentar esclarecer estes e outros episódios, mas essa é parte das nossas intenções com o filme e com o resgate da memória política.
Entrevistamos cerca de 20 pessoas, como Almino Affonso, que era ministro de Trabalho do Jango, a cientista política Maria Victoria Benevides, Aldo Arantes, presidente da União Nacional dos Estudantes em 1961, e João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Vocês trazem alguma grande novidade sobre a época?
Há algumas revelações que são novidade, por exemplo, com relação à estratégia dos aliados do presidente Jango; a participação direta da Casa Branca no golpe, além da CIA, do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa; a retomada dos fundadores e financiadores do Ipes-Ibad; as relações com a Aliança para o Progresso, Peace Corps e outros programas de ajuda solidária de Washington para a América latina e Brasil.
Como avalia o trabalho da Comissão Nacional da Verdade até agora?
A simples instalação da CNV é uma grande vitória de todos que vêm lutando e resistindo desde a instalação da ditadura civil-militar, em 1964, até agora. É a primeira vez que o Estado brasileiro institui um organismo para investigar os crimes da elite brasileira. O fato de ter dois anos de duração não quer dizer nada. Em outros países também foi assim, e os trabalhos foram prorrogados. Espero que a CNV cumpra seu papel.
Ela tem se movimentado bem nessa direção. Não tem o papel de punir, mas, uma vez que está líquida e certa a participação de determinadas pessoas nos crimes, você pode entrar na justiça e levá-las aos tribunais para que sejam denunciadas, processadas e, no caso de confirmação dos crimes, punidas nos termos da lei, em processos legais, públicos e com todo direito à defesa. Acho que avançamos bastante. Ainda não chegamos lá, mas chegamos bastante.



MAIS UM MEMBRO DA CORJA TUCANA!


Novo secretário particular de Alckmin lidera 'nova direita'


O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) levou para o seu círculo mais próximo de assessores um advogado de 37 anos que ganhou espaço na imprensa em 2010 ao se apresentar como um dos fundadores do movimento "Endireita Brasil" e se autodenomina um representante da "direita liberal" no país.

Nomeado secretário particular do governador, Ricardo Salles pregou contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, classificou o MST como grupo "criminoso" e acusou o governo Lula de promover uma revanche contra militares após levar "terroristas" ao "poder" ao divulgar suas convicções em um blog.

No governo, ele terá como principal função articular os encontros e agendas públicas do governador, a quem está diretamente subordinado.

O blog de Salles conta com uma seção de vídeos, a maioria divulgada em 2010.
"Estamos aqui para falar do PNDH III e dos anistiados", explica, no início de um filme divulgado em setembro daquele ano, no qual fala do projeto do governo Lula que previa a criação da hoje já instalada Comissão da Verdade.

"Esses que estão no poder, que no passado assaltaram, sequestraram, mataram pessoas na tentativa de instaurar uma ditadura de esquerda, querem o revanchismo", diz.

O filme foi divulgado no auge da campanha da hoje presidente Dilma Rousseff (PT), que atuou em movimentos de resistência à ditadura quando jovem. "Não podemos permitir que essas pessoas tentem fraudar a história (...) para premiar os terroristas de ontem que hoje estão no poder."

Em outro vídeo, Salles afirma que o casamento de pessoas do mesmo sexo "contraria os princípios da família". Em um terceiro, intitulado "Tudo aos bandidos do campo", critica o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

Procurada, a assessoria de Alckmin disse que as opiniões manifestadas por Salles "há três anos" são de "caráter exclusivamente pessoal".

"As opiniões do governador sobre esses temas são públicas. Alckmin sempre declarou-se favorável à união civil de homossexuais. Sancionou, em 2001, lei que pune a homofobia", disse a assessoria em nota. "Alckmin militou contra a ditadura militar. São traços indissociáveis de sua história a defesa da democracia e o repúdio ao autoritarismo."

No texto, o governo ressalta ainda que "fortaleceu a rede de proteção aos trabalhadores sem terra, por meio de políticas de implantação e apoio aos assentamentos".