terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Privataria tucana em debate nesta quarta no Fórum Social Temático


O livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr., será tema de debate nesta quarta-feira, às 16 horas, na Casa dos Bancários, em Porto Alegre, dentro da programação do Fórum Social Temático 2012. Além do autor, o debate terá a presença do economista Luiz Gonzaga Belluzzo e da jornalista Maria Inês Nassif.

O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e a Geração Editorial promovem nesta quarta-feira (25), às 16 horas, na Casa dos Bancários, o lançamento regional do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. O lançamento será acompanhado de um debate com a presença do autor, do economista Luiz Gonzaga Belluzzo e da jornalista Maria Inês Nassif.

O Sindicato está organizando outras duas atividades, na Casa dos Bancários (General Câmara, n° 424, Centro), durante o Fórum Social Temático 2012, que será realizado em Porto Alegre, de 24 a 29 de janeiro. No dia 26, ocorrerá um debate sobre democracia participativa, com o sociólogo Emir Sader e o deputado estadual Raul Pont (PT). No dia 27, será realizada uma oficina sobre o funcionamento do sistema financeiro nacional, com a economista Maria Alejandra Madi (Unicamp).



Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19437&boletim_id=1111&componente_id=17648

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

“A Privataria Tucana” terá lançamentos e debates no Rio, Curitiba e Porto Alegre


16/1/2012 15:45,  Por Carta Maior
“A Privataria Tucana” terá lançamentos e debates no Rio, Curitiba e Porto AlegreNas próximas semanas, o livro de Amaury Ribeiro Jr. terá sessões de lançamentos seguidas de debate no Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. A primeira delas ocorre nesta terça (17), às 19h, na Livraria Travessa, no Rio de Janeiro. Além do autor, participarão do debate o sociólogo Emir Sader, o ator José de Abreu, o jornalista Fernando Brito e o editor Luiz Fernando Emediato. Em Curitiba, lançamento será dia 19 e em Porto Alegre, dia 25 de janeiro, durante o Fórum Social Temático 2012.
Marco Aurélio Weissheimer
O livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. segue despertando grande interesse em todo o país. 
Nas próximas semanas, o livro terá sessões de lançamentos seguidas de debate no Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Nesta terça (17), “A Privataria Tucana” será lançada no Rio de Janeiro, numa promoção da Geração Editorial e da Livraria Travessa. O lançamento está marcado para às 19h, na Livraria Travessa (Shopping Leblon, Avenida Afrânio de Mello Franco, 290, Loja 2051, 2° piso). Além do autor, participarão do debate o sociólogo Emir Sader, o ator José de Abreu, o jornalista Fernando Brito e o editor Luiz Fernando Emediato.
Na quinta-feira, dia 19, é a vez de Curitiba. O livro será apresentado por Amaury Ribeiro Jr. em um debate, a partir das 19h, no auditório do SISMUC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba) , Rua Monsenhor Celso, 225, 9° andar, cj. 901, Centro. O coletivo de blogueiros Paranablogs está ajudando a organizar o evento.
E no dia 25 de janeiro o lançamento seguido de debate ocorrerá em Porto Alegre, durante a realização do Fórum Social Temático 2012, na capital gaúcha. Promovido pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e pela Geração Editorial, o lançamento será às 16 horas, na Casa dos Bancários (General Câmara, 424, Centro), com um debate com a presença do autor e dos seguintes convidados: Protógenes Queiróz, Juberlei Bacelo, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif (estes dois últimos ainda a confirmar).
O Sindicato está organizando outras duas atividades, na Casa dos Bancários (General Câmara, n° 424, Centro), durante o Fórum Social Temático 2012, que será realizado em Porto Alegre, de 24 a 29 de janeiro. No dia 26, ocorrerá um debate sobre democracia participativa, com o sociólogo Emir Sader e o deputado estadual Raul Pont (PT). No dia 27, será realizada uma oficina sobre o funcionamento do sistema financeiro nacional, com a economista Maria Alejandra Madi (Unicamp).



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O conservadorismo paulista e as eleições de 2012: avanços e limites




A construção do imaginário conservador na cidade de São Paulo tem um ponto de partida bastante nítido. A mesma modernização que produz o progresso e o crescimento da metrópole é responsável pela sensação de caos urbano e de claustrofobia social. Nesse cenário ambíguo o senso comum conservador tende a tratar os problemas da cidade como uma questão demográfica, estimulando a fobia sobre o outro e a insegurança sobre si. O artigo é de William Nozaki.

Raízes do conservadorismo

O estado de São Paulo segue sendo governado pelo mesmo partido político há quase duas décadas. O PSDB de Mário Covas, José Serra, Geraldo Alckmin e seus correligionários foi responsável por transformar o estado em um pólo de resistência e difusão do liberal-conservadorismo. Mais ainda, se se considerar os governos que precederam o tucanato – Montoro, Quércia e Fleury – pode-se verificar que desde a redemocratização São Paulo nunca experimentou um projeto de governo alternativo, que fosse capaz de questionar os pilares do liberalismo econômico, do conservadorismo moral e do individualismo supostamente empreendedor. 

Na cidade de São Paulo, apesar de duas experiências locais de esquerda, com Luiza Erundina e Marta Suplicy, o quadro é parecido, a predominância tem sido também de governos mais conservadores e orientados à direita do espectro político, daí a existência de fenômenos como o janismo, o malufismo, culminando mais recentemente no condomínio demo-tucano comungado pela dupla Serra-Kassab. Sendo assim, ao longo das últimas décadas o que se observa é, por assim dizer, uma espécie de hegemonia do senso comum conservador paulista.

Diante desse cenário o eterno-retorno de uma pergunta “paulistocêntrica” impõe-se: por que o estado mais rico da federação e a cidade mais moderna do país manifestam nas urnas, sistematicamente, uma opinião política conservadora? A resposta não é simples. No município de São Paulo, por exemplo, há uma clara polarização entre o PSDB, que agrega ao seu redor um eleitorado de maior renda e escolaridade, e o PT que arregimenta a preferência de eleitores, comparativamente, de menor renda e escolaridade. 

Na ausência de um bloco claramente dominante, a vitória fica a cargo de quem melhor consegue captar a simpatia e o voto do eleitor de opinião “média”. Esse equilíbrio de forças faz com que a disputa eleitoral convirja para o centro, exatamente onde se encontra um conjunto de pessoas cuja condição econômica é superior ao nível de instrução. Ou seja, onde o sucesso econômico não acompanhou o interesse intelectual, incluindo-se: os novos ricos, pequenos e médios empresários, parte da tradicional classe média além de alguns setores em ascensão das camadas populares. 

Trata-se, justamente, de grupos em que a experiência de ascensão social inocula o desejo pelo status quo, daí se tornarem um campo fecundo para a mera reprodução de valores e costumes à moda conservadora. 

Avanços do conservadorismo
A construção do imaginário conservador na cidade de São Paulo tem um ponto de partida bastante nítido. A mesma modernização que produz o progresso e o crescimento da metrópole é responsável pela sensação de caos urbano e de claustrofobia social. Nesse cenário ambíguo o senso comum conservador tende a tratar os problemas da cidade como uma questão demográfica. Tudo se passa como se não houvesse falta de planejamento político, ausência de investimentos e carência de equipamentos, mas sim um aumento constante de pessoas, daí a fobia contra o outro e a insegurança sobre si, duas fontes de instabilidade que são minimizadas pela reposição constante dos chamados valores tradicionais.

Essas características se materializam sob: (i) a defesa de uma política de combate à pobreza e de ataque contra a imigração de caráter higienista; (ii) a defesa de uma política de segurança austera; (iii) a defesa dos valores e costumes da tradicional família cristã.

(i) Como já se disse, o trânsito nas ruas, as filas nos hospitais, a falta de vaga em creches e escolas, o abandono dos espaços de lazer e esporte, o avanço da criminalidade e da violência, quase nunca são vistos como resultado da ausência de investimentos públicos, esses problemas são antes tratados como uma questão demográfica causada pela suposta imigração incessante do nordeste e do norte para São Paulo. 

O preconceito contra os “nordestinos”, que não deixa de trazer consigo o preconceito contra os negros, logo serve de explicação para o avanço do desemprego, da miséria, da criminalidade e da violência. Em muitos casos essa concepção, justifica a defesa de iniciativas de repatriação de imigrantes e de sumiço (quando não extermínio) de miseráveis, habitantes de favelas e moradores de rua.

Não é trivial que na campanha presidencial de 2010 o candidato tucano paulista tenha insinuado em seus discursos que a candidata petista governaria para o nordeste em detrimento do sudeste; o que suscitou, principalmente nas redes sociais, um movimento marcado pelo preconceito e pelo ódio contra nordestinos e negros. 

(ii) Nesse cenário supostamente saturado de pessoas indesejadas a claustrofobia social se degenera em insegurança generalizada, desaguando numa permanente demanda por mais efetivos policiais, mais equipamentos de segurança, mais combate ao crime. A decorrência dessa sensação se apresenta, na esfera privada, com a intensificação do enclausuramento em condomínios fechados protegidos por seguranças particulares; já na esfera pública o que se percebe é, cada vez mais, o envolvimento da polícia arbitrando questões de natureza social e judiciária. 

O direito à propriedade torna-se sempre mais importante do que o direito à vida e os direitos humanos são tratados como uma inversão de valores que pune as vítimas e privilegia os bandidos.

Não por acaso, na cidade de São Paulo, a gestão de Gilberto Kassab, tem patrocinado a higienização social e a criminalização da pobreza, através, por exemplo, da perseguição de vendedores ambulantes, da hostilidade contra moradores de rua e do tratamento desumano contra usuários de crack. 

(iii) Essa incessante busca pela ordem visa também proteger um dos pilares do conservadorismo moral paulista, a defesa da instituição familiar em seu formato tradicional: sexista e patriarcal. Retroalimentado ora pelo catolicismo beato ora pelo protestantismo radical, o senso comum conservador não admite demandas de liberação dos costumes e da subjetividade, a descriminalização do aborto e da maconha, a emancipação das mulheres e dos jovens, assim como a defesa da liberdade de realização sexual são mais do que tabus.

Daí a repressão, em São Paulo, contra as reivindicações de movimentos juvenis (como no caso da Marcha da Maconha) e contra as demandas do movimento estudantil (como no caso da invasão policial da USP).

Limites do conservadorismo
O conservadorismo tradicional não contava, entretanto, com a presença de um novo elemento rondando suas opiniões “médias”, aprendendo com elas e desconfiando delas: a nova classe média. 

Nos últimos anos, a elevação no número de empregos formais, a valorização do salário mínimo e a difusão do crédito ao consumidor criaram condições para a expansão da classe trabalhadora urbana; esse conjunto de novos profissionais integrados ou reintegrados no mercado de trabalho, desfrutando de melhores condições para a elevação da escolaridade, compõe o que tem se convencionado chamar – nem sempre de modo preciso – de nova classe média ou nova classe C. 

Trata-se de um grupo cujos valores e votos permanecem em disputa, defendem o empreendedorismo individual, mas apóiam intervenções do Estado e comungam relações de comunidade e vizinhança; defendem a moralidade tradicional, mas rechaçam a repressão extrema e aceitam novas configurações familiares; defendem o livre-funcionamento do mercado, mas reclamam maiores investimentos governamentais em serviços e equipamentos públicos.

Não por acaso, recentemente, um expoente do liberal-conservadorismo paulista, o ex-presidente FHC, escreveu um artigo sugerindo que seu partido deveria apostar não no “povão” ou nos movimentos sociais, mas na nova classe C. De modo análogo, ainda que por outros caminhos, o ex-presidente Lula tem sinalizado a importância de o PT buscar uma maior inserção e uma menor resistência nesse eleitorado da nova classe média. 
Seja lá como for, fato é que nas eleições municipais de 2012 um novo ator eleitoral entrará em cena e será disputado: a nova classe média. Como seus valores e opiniões ainda são ambivalentes, as urnas trazem boas possibilidades para o resgate de um projeto democrático-popular que sirva de contraponto e alternativa ao liberal-conservadorismo que se instaurou e se enraizou na cidade. 

(*) Professor da Universidade Mackenzie, doutorando em Desenvolvimento Econômico (UNICAMP), bacharel em Ciências Sociais (USP).


FONTE: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19364&boletim_id=1103&componente_id=17504

domingo, 1 de janeiro de 2012

Congresso Nacional custou mais de R$ 6 bilhões em 2011


Nós somos otários?!
Wagner Marins


Gastos aumentarão após concurso que deve pagar quase o mesmo salário de um senador


De janeiro ao fim de novembro deste ano, os brasileiros pagaram mais de R$ 1 trilhão em impostos, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo. O valor é suficiente para pagar um salário mínimo para 2,5 bilhões de pessoas ou comprar 17 milhões de ambulâncias. No entanto, parte desses tributos, ou 0,6%, foi direcionada para os gastos com o poder legislativo.

Nesse período, as duas casas legislativas federais custaram aos cofres públicos – e, consequentemente, ao bolso da população – mais de R$ 6,2 bilhões. Em 2010, o gasto foi de R$ 5,4 bilhões nos onze primeiros meses. Houve, portanto, um acréscimo de quase R$ 800 milhões nos gastos deste ano. 

Uma pesquisa da ONG Transparência Brasil feita em 2007 apontou que, em comparação com outros onze países, o orçamento do Congresso brasileiro é o segundo maior, perdendo apenas para os Estados Unidos. Na época, o custo anual previsto era de R$ 6 bilhões (semelhante ao valor efetivamente gasto em 2011) e ficou acima dos orçamentos de Itália, Alemanha, França, Canadá, Reino Unido, México, Chile, Argentina, Portugal e Espanha.

De acordo com levantamento feito pela ONG Contas Abertas, a pedido do R7, o Senado Federal gastou R$ 2,8 bilhões de janeiro a 30 de novembro deste ano e a Câmara dos Deputados, R$ 3,3 bilhões. A verba foi utilizada para compra de materiais e pagamentos de salários, indenizações e aposentadoria para servidores.

O maior gasto em ambas as casas foi feito com a transferência para consórcios públicos, parcerias feitas entre órgãos do governo para, por exemplo, ceder funcionários para realizar serviços técnicos. Na Câmara, o tópico custou R$ 1,4 bilhão e no Senado, R$ 1,1 bilhão. O pagamento de aposentadorias foi o segundo maior responsável pelos gastos. Na Câmara, foram R$ 663,8 milhões para esse fim e, no Senado, R$ 717 milhões.

No ano que vem, o Congresso Nacional ficará ainda mais caro. Já está prevista e autorizada uma nova edição do concurso do Senado com 246 vagas abertas para cargos de nível superior. Os selecionados receberão salários exorbitantes que chegam a R$ 23,8 mil – somente R$ 2.900 a menos que a remuneração dos senadores.

Na lista de cargos, estão fisioterapeutas e arquivistas que na vida real ganhariam salário médio de R$ 2.000, mas, se aprovados no concurso, elevarão consideravelmente o padrão de vida. Todo mês cairá em suas contas a bagatela de R$ 19 mil, referente ao trabalho de 40 horas por semana, bem distante da realidade de metade da população do país, que recebe apenas um salário mínimo. 

Juntos, os novos servidores vão custar por mês R$ 4,1 milhões, sem contar benefícios como vale-refeição e plano de saúde. Em doze meses, terá saído do bolso dos brasileiros pelo menos R$ 49,2 milhões destinados aos funcionários do Senado Federal aprovados no próximo concurso. Com mais essa conta, os gastos do Congresso em 2012 devem facilmente chegar a R$ 7 bilhões – é como se cada habitante do planeta contribuísse com um real só para garantir a existência das duas casas de leis brasileiras.

Compras

Além dos gastos fixos ao longo do ano, o Congresso também costuma fazer encomendas no mínimo curiosas para dar mais conforto a parlamentares e funcionários. No mês passado, a Câmara, por exemplo, comprou 42 tablets com acesso a internet no valor total de R$ 78,7 mil. Na última semana de novembro, o Senado adquiriu 17 máquinas fotográficas que custaram R$ 148,9 mil e 50 aparelhos de barbear no valor total de R$ 370

A diferença entre o total de gastos de 2010 e de 2011 deve-se em parte ao reajuste salarial dos parlamentares aprovado por eles mesmos no ano passado – a remuneração passou de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil. Com isso, o custo anual dos quinze salários que cada um deles recebe agora é de R$ 237 milhões, um acréscimo de R$ 90 milhões em relação a 2010.

Os parlamentares têm direito também a diversos benefícios, como uma cota para exercício da atividade parlamentar, auxílio moradia, passagens de avião e verba de gabinete. No total, esses adicionais chegam a R$ 150 mil por mês para cada gabinete.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Governo insere 52 nomes na "lista suja" do trabalho escravo


Atualizada nesta sexta (30), o cadastro de empregadores flagrados com mão-de-obra análoga à de escravo cresceu com a entrada de 52 novos registros, chegando ao número recorde de 294 nomes, de acordo com notícia divulgada no Blog doSakamoto. Entre os que entraram na “lista suja” estão grupos sucroalcooleiros, madeireiras, empresários e até uma empreiteira envolvida na construção da usina hidrelétrica de Jirau. 


A relação inclui também médicos, políticos, famílias poderosas e casos de exploração de trabalho infantil e de trabalho escravo urbano. Para ver a lista atualizada, clique aqui.

A “lista suja” tem sido um dos principais instrumentos no combate a esse crime, através da pressão da opinião pública e da repressão econômica. Após a inclusão do nome do infrator, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e o BNDES suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito rural aos relacionados na lista. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte das empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo – que representam mais de 25% do PIB brasileiro.

O nome de uma pessoa física ou jurídica é incluído na relação depois de concluído o processo administrativo referente à fiscalização dos auditores do governo federal e lá permanece por, pelo menos, dois anos. Durante esse período, o empregador deve garantir que regularizou os problemas e quitou suas pendências com o governo e os trabalhadores. Caso contrário, permanece na lista.

Abaixo, trechos da apuração de Bianca Pyl, Daniel Santini e Maurício Hashizume, da Repórter Brasil, que monitora o cadastro desde sua criação em novembro de 2003:

Entre os novos registros, há casos como o de Lidenor de Freitas Façanha Júnior, cujos trabalhadores, segundo os auditores fiscais do trabalho envolvidos nas operações de libertação, bebiam água infestada com rãs, e o do fazendeiro Wilson Zemann, que explorava crianças e adolescentes no cultivo de fumo. Entre os estados com mais inclusões nesta atualização estão Pará (9 novos nomes), Mato Grosso e Minais Gerais (8 cada). A incidência do problema no chamado Arco do Desmatamento demonstra que a utilização de trabalho escravo na derrubada da mata para a expansão de empreendimentos agropecuários segue presente.

Nesta atualização, apenas dois nomes foram retirados do cadastro (Dirceu Bottega e Francisco Antélius Sérvulo Vaz), o que pesou para que a relação chegasse a quase 300 registros.

Escravos da cana

Entre os destaques da atualização estão libertações que chamam a atenção pelo grande número de escravos resgatados em plantações de cana-de-açúcar. Só na Usina Santa Clotilde S/A, uma das principais de Alagoas, foram flagrados 401 trabalhadores em situação degradante em 2008. Também entra nesta atualização a Usina Paineiras, que utilizou 81 escravos em Itabapoana (RJ) em 2009. Um ano após o flagrante que resultou nesta inclusão, a empresa comprou a produção da Erbas Agropecuária, onde foram flagrados 95 trabalhadores escravizados.
Mesmo com o aumento da preocupação social por parte das usinas, real ou apenas declarado, o setor ainda tem ocorrências de mão-de-obra escrava.

A Miguel Forte Indústria S/A foi flagrada explorando 35 trabalhadores, incluindo três adolescentes, na colheita de erva-mate em Bituruna (PR). A madeireira, que mantinha o grupo em barracões de lona sob comando de “capatazes”, anuncia na sua página que “o apoio a projetos sociais que promovem a cidadania e o bem-estar, principalmente entre a população carente, mostra o comprometimento da Miguel Forte com os ideais de uma sociedade mais justa e humana”. À frente da empresa, Rui Gerson Brandt, acumula o cargo de presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná (Sindpacel).

Hidrelétrica de Jirau

Não é só na monocultura ou no campo que os flagrantes acontecem. As condições degradantes em projetos bilionários do país têm sido uma constante e, nesta atualização, uma das empreiteiras envolvidas na construção de uma hidrelétrica também entrou na lista. A Construtora BS, contratada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), foi flagrada utilizando 38 escravos na construção da Usina Hidrelétrica de Jirau. Além de enfrentarem problemas relacionados aos alojamentos, segurança no trabalho e saúde, os empregados ainda eram submetidos a escravidão por dívida, por vezes em esquemas sofisticados que envolvem até a cobrança por meio de boletos bancários, conforme denunciado, na época, pela Repórter Brasil.

Mesmo após o flagrante, as condições de trabalho não melhoraram, segundo denúncias recentes. Em abril deste ano, um grupo de 20 trabalhadores procurou o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia (Sticcero) alegando que a BS não havia pago o aviso prévio e eles estavam dormindo no galpão da Construtora, sem ter como voltar para casa. Uma liminar chegou a bloquear os bens da empresa em 2011.

O isolamento, aliás, continua sendo utilizado como ferramenta para escravizar pessoas. Nesta atualização da lista, foi incluído Ernoel Rodrigues Junior, cujos trabalhadores estavam em um local de tão difícil acesso que foi necessário um helicóptero para o resgate dos trabalhadores. ??Entre os libertados estavam dois adolescentes de 15 e 17 anos e uma de 16 anos. Para chegar no local em que o grupo estava, foi necessário percorrer a partir de São Félix do Xingu (PA) por 14 horas um caminho que contava com uma ponte de madeira submersa, balsa e estradas de terra em condições tão ruins que foi necessário o uso de tratores para desatolar alguns dos veículos. De acordo com os relatos colhidos pela fiscalização, todos tinham medo de reclamar porque o fazendeiro e o segurança da propriedade andavam armados. Para que conseguisse fazer a denúncia, um trabalhador explorado conseguiu fugir e teve de caminhar durante seis dias pela mata e por estradas de terra.

Outro destaque na atualização da “lista suja” neste ano é a inclusão de Fernando Jorge Peralta pela exploração de escravos na Fazenda Peralta, em Rondolândia (MT). O Grupo Peralta é um conglomerado empresarial poderoso, do qual fazem parte a rede de supermercados Paulistão, a Brasterra Empreendimentos Imobiliários, as concessionárias Estoril Renault/Nissan (em Santos, Guarujá e Praia Grande), os shoppings Litoral Plaza Shopping e Mauá Plaza Shopping (cuja construção, na época, envolveu uma denúncia de propina), a Transportadora Peralta (Transper) e a PRO-PER Publicidade e Propaganda, só para citar os principais ramos de atividade do grupo. O flagrante que levou Fernando Jorge à “lista suja” aconteceu em 2010 e envolveu a libertação de 11 trabalhadores de sua fazenda.

Luiz Carlos Brioschi e Osmar Brioschi, que também entram na lista nesta atualização, foram flagrados se aproveitando de 39 trabalhadores na colheita do café em Marechal Floriano (ES). Eles mantinham os empregados em regime de escravidão por dívidas e em condições extremamente precárias de trabalho e vida. Dois dias após a libertação ter sido divulgada, Osmar Brioschi esteve entre os homenageados com placas e diplomas na Assembleia Legislativa do Espírito Santo pelo “trabalho realizado em favor do campo capixaba”, por iniciativa do deputado Atayde Armani (DEM-ES).

Devastação ambiental

Outro aspecto reforçado pela atualização da lista é o elo entre escravidão e devastação ambiental. O uso de escravos em grandes projetos de desmatamento e em áreas com conflitos agrícolas é bastante comum. Desta vez, foi incluído na relação Tarcio Juliano de Souza, apontado como responsável pela destruição de milhares de hectares de floresta amazônica nos últimos anos. Ele é considerado pela Polícia Federal responsável por montar um esquema para desmatar cerca de 5 mil hectares de floresta nativa na região de Lábrea (AM), onde mantém a Fazenda Alto da Serra. Chegou a ser preso em Rio Branco (AC) pelos crimes de redução de pessoas a condições análogas à escravidão, aliciamento de trabalhadores e destruição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e foi denunciado por tentar comprar um fiscal. Na época, o superintendente regional do trabalho Dermilson Chagas declarou que Tárcio estava à frente de um “consórcio de fazendeiros” do Acre formado para transformar grandes áreas de Lábrea (AM) em pastos, com a utilização criminosa de escravos para o desmate, para criar gado bovino.

Políticos e doutores

Um ex-prefeito, um ex-secretário municipal do Meio Ambiente e dois médicos estão entre os que entraram na relação nesta atualização. O ex-prefeito Edmar Koller Heller foi flagrado em 2010 explorando mão-de-obra escrava em um garimpo na Fazenda Beira Rio, que fica em Novo Mundo (MT), a 800 km da capital mato-grossense Cuiabá (MT), próximo à divisa com o Pará. Edmar foi prefeito de Peixoto de Azevedo (MT) em 2000, pelo extinto PFL (hoje DEM). Teve seu mandato cassado após ser acusado de desvio de recursos públicos, contratação de pessoal especializado sem licitação e contratação ilegal de veículos automotores de auxiliares de confiança.

Em 2007, ele se envolveu em outro escândalo político e chegou a ser preso. Como secretário de Administração da prefeita Cleuseli Missassi Heller, sua esposa, ele foi considerado responsável por improbidade administrativa, configurada pelo favorecimento de uma única empresa em processos licitatórios do município. Em 2009, a Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a condenação.

Outro político que passa a fazer parte da lista é Evanildo Nascimento Souza, flagrado com escravos quando ainda era secretário de Meio Ambiente de Goianésia do Pará (PA). O homem que deveria zelar pela natureza foi flagrado explorando trabalhadores justamente no corte e queima de madeira para produção de carvão. De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), foram encontrados na Fazenda RDM (onde se localiza a Carvoaria da Mata), em julho de 2009, nove trabalhadores laborando em condições degradantes no corte de madeira, transporte, empilhamento, enchimento dos fornos, vedação do forno com barro e carbonização. Os trabalhadores não possuíam equipamentos de proteção individual (EPIs) e estavam alojados em um barraco em péssimas condições, sujo com detritos, restos de maquinário e peças de veículos, armazenamento de combustível, sem separação para homens e mulheres, nem ventilação e iluminação.

Os médicos incluídos na relação são José Palmiro Da Silva Filho, CRM 830, flagrado com cinco escravos na Fazenda São Clemente, em Cáceres (MT), e Ovídio Octávio Pamplona Lobato, CRM 3236, flagrado com 30 escravos na Fazenda Tartarugas, em Soure (PA).