quinta-feira, 26 de abril de 2012

FERNANDO HADDAD - JUSTIÇA SOCIAL E HUMANIZAÇÃO


‘Quero humanizar São Paulo’

Confiança. O ex-ministro acredita que as circunstâncias
 eleitorais o favorecem. Foto: Olga Vlahou
O ex-ministro Fernando Haddad está mais longilíneo. E mais confiante. Acredita que as circunstâncias eleitorais o favorecem, embora, no momento, a realidade pareça bastante madrasta. O PT perdeu um tempo precioso na tentativa de fechar um acordo eleitoral com o prefeito Gilberto Kassab, do PSD, que no fim das contas lançou-se aos braços de seu padrinho José Serra. Agora busca tirar o prejuízo e formar um arco de alianças sólido. Para piorar, o partido foi punido pela Justiça Eleitoral e perdeu o horário gratuito no rádio e na tevê do primeiro semestre, uma chance de ouro para apresentar um candidato desconhecido pelos paulistanos. Na única pesquisa de intenção de votos divulgada, Haddad aparece com 3%, menos da metade do peemedebista Gabriel Chalita e a quilômetros de Serra (e seus 30%). “É uma pesquisa de 60 dias atrás”, incomoda-se o ex-ministro. “Vamos ver a próxima rodada.”
Depois de um longo período mergulhado em articulações internas, Haddad colocou o bloco na rua. No sábado 14, durante um evento em São Bernardo do Campo, apareceu pela primeira vez ao lado de Lula e Marta Suplicy, fiadores de sua campanha (ainda que a senadora continue a não demonstrar empenho e entusiasmo). E tem intensificado os contatos com os eleitores. Seu principal alvo é a qualidade do transporte público. Segundo o petista, São Paulo vive um “apagão” no setor. Ele promete retomar os investimentos em corredores de ônibus, ampliar a parceria no metrô, desde que o governo estadual aceite estabelecer metas de entrega de estações, e melhorar a engenharia de trânsito. Promete ainda acabar com a taxa de inspeção veicular – e mudar o modelo. “Ela não produziu o efeito desejado. A qualidade do ar não melhorou.” Como ele vê São Paulo daqui a quatro anos, caso ganhe a eleição? “Uma cidade mais humana.”
CartaCapital: O senhor é o candidato do Lula e de um partido, o PT, que costuma ter ao menos 30% dos votos na cidade de São Paulo. Ainda assim, está estacionado na casa dos 3% nas pesquisas. O que acontece?
Fernando Haddad: Você se refere a uma pesquisa de 60 dias atrás, a única feita até o presente momento. A sua obsessão – e a de muita gente – por essa pesquisa me parece imprópria. Vamos aguardar uma nova rodada de pesquisas e verificar a evolução do quadro. Estamos no início do trabalho. É minha estreia em eleições e tenho total confiança: ao tomar conhecimento do nosso projeto, a população da cidade vai apoiá-lo naturalmente.
CC: No início das articulações políticas para a sua candidatura, o PT e as forças aliadas parecem ter ignorado a alta probabilidade de o ex-prefeito José Serra participar da disputa. Não foi um erro de estratégia?
FH: Se houve erro não foi da minha parte. Em todas as minhas declarações públicas, sempre deixei claro que, no meu entender, a maior probabilidade era de o Serra participar das eleições. Até porque nos últimos 12 anos ele participou de cinco das seis eleições. O Serra está sem mandato e precisava encontrar uma forma de se reposicionar na vida política.
CC: O senhor elegeu o transporte público como o primeiro mote de sua campanha. O que pretende fazer nessa área?
FH: São Paulo vive um apagão do transporte. É visível. Todas as pesquisas apontam queda na aprovação dos serviços públicos prestados. Há claramente uma falta de investimentos. Em primeiro lugar, os prefeitos posteriores abandonaram os planos em curso durante a gestão da Marta Suplicy. Quando a Marta assumiu, a prefeitura de São Paulo, herdada do Celso Pitta, estava quebrada e tinha um terço do Orçamento atual. Mesmo assim, foram construídos 70 quilômetros de corredores de ônibus. E o que foi feito depois? Outra coisa: a prefeitura colocou dinheiro nas obras do metrô, mas não fez um acordo com o governo estadual para estabelecer metas. Mais dinheiro não tem significado mais estações e linhas. Só tem representado um preço maior por quilômetro construído. Após 18 anos de governo do PSDB no estado, ainda não temos clareza sobre o cronograma de obras do metrô em virtude do constante adiamento daquilo que é prometido.
CC: O senhor manteria os investimentos?
FH: Sim, até me disporia a investir mais no metrô. Mas desde que sejam estabelecidas metas claras. Ainda sobre o transporte: é preciso melhorar a engenharia de trânsito da cidade, completamente abandonada. A CET está sucateada e com baixo contingente para enfrentar os desafios. Nesses anos de inclusão social e maior oferta de crédito, um grande número de cidadãos conseguiu comprar um carro. E a gestão do trânsito não acompanhou essa mudança. Hoje há congestionamento nos bairros no fim de semana, algo que não acontecia. Não há planejamento, não há engenharia, não há duplicação de vias. Para piorar, as panes dos trens da CPTM e do metrô são recorrentes. No caso do metrô, acumulam-se problemas. Houve o horrível acidente da cratera, a acusação de fraudes na licitação, gestores afastados por denúncias. Tudo isso somado à queda nos investimentos em manutenção. Isso é ou não é um apagão?
CC: A CPTM e o metrô não são da alçada do prefeito.
FH: Mas e o dinheiro aplicado pela prefeitura, qual é a contrapartida? No mundo moderno, a administração pública se pauta por metas. Tive o privilégio de inaugurar no Ministério da Educação um plano de desenvolvimento com metas quantitativas e qualitativas. Todas cumpridas até o momento.
CC: No ponto em que estamos, não seria preciso tomar medidas mais drásticas? Ampliar o rodízio, por exemplo?
FH: Não são só os brasileiros que compram carro. Nas nações desenvolvidas, o indivíduo tem automóvel, mas usa de maneira parcimoniosa, pois a cidade, o Estado, é capaz de oferecer uma opção de boa qualidade. Políticas restritivas de uso do carro só são implantadas após a oferta de um bom sistema de transporte público. Ampliar as restrições neste momento em São Paulo representaria empurrar mais gente para um sistema saturado por falta de investimentos estaduais e municipais. O que pretendo fazer é melhorar a gestão do trânsito e, simultaneamente, aumentar os investimentos em transporte público. Com metas, transparência, de forma que a sociedade possa acompanhar e fiscalizar.
CC: Como ex-ministro da Educação, quais são seus planos para melhorar o ensino público na cidade?
FH: São Paulo é o estado mais rico da Federação. A renda per capita da cidade é superior àquela da Argentina, do Chile, do Uruguai, do México. Apesar desse dado, o sistema educacional paulista está aquém do de todos esses países. Não faz sentido. A cidade pode se tornar uma referência, mas é preciso investir da creche à pós-graduação. É preciso ter mais vagas em universidades públicas, mais escolas técnicas. O governo federal tem recursos disponíveis. Também necessitamos de mais creches e pré-escolas. E existe um programa federal com dinheiro destinado a São Paulo que a cidade ainda não foi capaz de usar. É questão de disposição para fechar as parcerias, os convênios. Outro ponto: vamos implantar a educação de tempo integral. Vamos estabelecer metas para atingir em quatro anos um determinado porcentual de estudantes em dois turnos.
CC: Como o senhor imagina São Paulo no final de sua gestão, caso ganhe as eleições?
FH: Quero fazer de São Paulo uma cidade mais humana. Uma cidade promove o encontro das pessoas. Ela tem de ser convidativa. O governo Lula melhorou a vida dos brasileiros da porta para dentro. Os brasileiros, e os paulistanos em particular, tiveram acesso a bens e serviços antes proibidos à maioria. O prefeito tinha a responsabilidade de cuidar da porta para fora. Houve um aumento sensacional da arrecadação. O Orçamento é três vezes maior do que há oito anos. O prefeito Gilberto Kassab possui cerca de 5 bilhões de reais para investimentos e não consegue aplicar os recursos. Quando a vida melhora da porta para dentro e não melhora da porta para fora é sinal de que a cidade não cumpre sua função de aproximar os cidadãos. E isso se faz melhorando a iluminação, a mobilidade, a educação, os serviços públicos.
CC: Como a prefeitura pode atuar para deixar a cidade menos violenta?
FH: A segurança é uma atribuição do governo estadual, mas a prefeitura pode tomar algumas providências. Uma cidade limpa, iluminada, com calçamento adequado, muro nos terrenos vazios favorece a segurança. Até a melhora do trânsito provoca efeitos positivos. Os arrastões pelas avenidas acontecem por causa dos congestionamentos. Os motoristas, parados, tornam-se presas fáceis dos ladrões. E há a Guarda Civil Metropolitana, desprestigiada na atual gestão. Podemos ter uma combinação de esforços da prefeitura e do governo do estado.
CC: Como resolver o problema da Cracolândia? O senhor é a favor da internação compulsória dos viciados?
FH: Fui um dos primeiros a defender a necessidade de uma política de ocupação da Cracolândia, com força policial, por causa da presença de traficantes e crianças. Mas supunha que a ocupação seria feita de maneira conjugada com a oferta de assistência social e de saúde. Não com o simples intuito de espalhar os viciados pela cidade, como ocorreu. Entendo que a internação compulsória sem a participação do Poder Judiciário é muito temerária. Podemos abrir espaço para práticas das quais vamos nos arrepender no futuro. Ela tem de ser usada com parcimônia, quando se tratar de riscos à vida das pessoas.
CC: O próximo prefeito administrará a cidade durante a Copa do Mundo, um evento fundamental para imagem do Brasil no exterior. Estamos preparados?
FH: Temos todas as condições para nos preparar. A prefeitura tem feito pouco…
CC: O que falta?
FH: Coisas básicas. Falta um plano de sinalização para estrangeiros, por exemplo. Vamos precisar de quem fale uma segunda língua para orientar os turistas. E isso precisa ser planejado já. Faltam praticamente dois anos para o Mundial. Não sabemos se temos estrutura para receber bem a todos os que virão, para que eles voltem à cidade e ao Brasil. Certamente um dos grandes legados da Copa será transformar o País em um lugar mais atrativo para os turistas. Se eles não foram bem tratados, levarão uma imagem deformada dos brasileiros. Não vejo um esforço da prefeitura para preparar a cidade.
CC: Como tornar São Paulo uma cidade ambientalmente mais sustentável?
FH: Existem dois aspectos fundamentais. Avançar na coleta seletiva de lixo é um deles. Estamos estagnados nessa área. Há tecnologias avançadas e experiências internacionais bem-sucedidas e fáceis de ser usadas e reproduzidas. O Brasil aprovou um novo marco regulatório do manejo dos resíduos sólidos. Todos os municípios têm prazo para se adaptar às novas regras. O tempo está correndo.
CC: A prefeita Marta Suplicy ficou marcada pela criação de um imposto destinado a investir na coleta seletiva. Era chamada de “martaxa”. Dá para investir em coleta seletiva sem criar um novo imposto?
FH: Na verdade, o Serra e o Kassab substituíram uma taxa por outra, de pior qualidade, e não fizeram nada para melhorar a coleta de lixo. Mas não dá para ressuscitar taxas ou impostos no Brasil. Veja o caso da CPMF, criada pelo Fernando Henrique Cardoso. O Congresso a extinguiu e assim ficou. Vou além. Pretendo acabar com a taxa de inspeção veicular, pois ela não produziu os efeitos desejados do ponto de vista ambiental.
CC: E como manter a inspeção?
FH: Nos moldes do que se faz no resto do mundo, principalmente nos países desenvolvidos. Não há sentido em fazer inspeção em veículos recém-saídos das concessionárias e ainda dentro do prazo de garantia das fábricas. Se está na garantia, a regulagem do motor para a emissão de poluentes tem de estar contemplada. Além do mais, o paulistano paga a maior alíquota de IPVA do Brasil. Metade dessa arrecadação é repassada ao município. A outra metade é do estado. Vamos atingir 2 bilhões de reais em arrecadação, dez vezes mais do que deveria custar a inspeção veicular de toda a frota. Essa taxa é contraproducente. Por causa dela, boa parte da frota de automóveis da cidade não está licenciada. Outra parte está licenciada fora do município e do estado, pois os motoristas buscam uma maneira de pagar menos impostos. Já a qualidade do ar não melhorou. Diria até que piorou.
Sergio Lirio
FONTE:http://www.cartacapital.com.br/politica/quero-humanizar-sao-paulo/

domingo, 22 de abril de 2012

DILMA VOLTA A BATER RECORDE DE APROVAÇÃO E A SUPERAR TODOS OS ANTECESSORES


São Paulo – A avaliação do governo de Dilma Rousseff voltou a crescer, bateu mais um recorde e superou todos os antecessores eleitos democraticamente. Pesquisa Datafolha divulgada hoje (22) mostra que 59% dos entrevistados veem a presidenta como ótima ou boa, crescimento de onze pontos em relação ao levantamento anterior, feito em agosto.
Trata-se de um nível superior ao de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro ano dos dois mandatos – 42% em 2003 e 50% em 2007 – e ao de Fernando Henrique Cardoso – 41% em 1995 e 16% em 1999. Dilma supera ainda a aprovação dos inícios de mandato de Fernando Collor (23%) e de Itamar Franco (12%). Em uma escala de zero a dez, a média de avaliação do governo fica em 7,2, crescimento de meio ponto frente a agosto do ano passado.
O levantamento mostra ainda que os que consideram o governo como ruim ou péssimo caíram de 11% para 6%, e a leitura de uma gestão regular foi de 39% para 33%. Os que avaliam o governo como ótimo ou bom são 56% entre os homens, um crescimento de dez pontos, e 62% entre as mulheres, variação positiva de 13 pontos. Por idade, as taxas menos elevadas de aprovação se dão nas faixas entre 16 e 24 anos e entre 45 e 59 anos, com 56% e 57%, respectivamente.
Quanto à escolaridade, 61% dos que cursaram ensino fundamental aprovam a atual gestão, contra 57% dos que fizeram até o ensino médio e 59% entre os que concluíram o ensino superior. A diferença de avaliação por anos de estudo caiu bastante: era de oito pontos em agosto e agora fica em quatro pontos.
Quando se leva em conta a renda familiar, a diferença de aprovação torna a crescer, de 59% entre os que recebem até cinco salários mínimos a 53% entre quem tem um rendimento superior a 10 mínimos. Na faixa de cinco a dez salários, porém, Dilma registrou a maior variação positiva, de 16 pontos, e tem agora o aval de 61% dos entrevistados.
Por região, o maior crescimento se deu no Norte e no Centro-oeste. Em agosto, 45% aprovavam o governo, contra 63% agora. No Nordeste a escalada foi de 13 pontos, chegando a 62%. Sul, com 58% de ótimo e bom, e Sudeste, com 56%, vêm a seguir. 
Todas as questões sobre características pessoais da presidenta também apresentaram evolução. 72% afirmam que Dilma é uma pessoa decidida, 10 pontos a mais que no último levantamento. 80% a veem como muito inteligente, uma subida de quatro pontos. 70% acreditam se tratar de alguém sincero – caiu em sete pontos o percentual de quem a avalia como falsa, agora em 15%. Houve uma queda também quanto à pergunta sobre se Dilma é autoritária – 39% acreditam que sim, contra 52% que a enxergam como democrática.
O Datafolha entrevistou 2.575 pessoas em 159 municípios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

sábado, 7 de abril de 2012

RESQUÍCIOS DA DITADURA, 48 ANOS APÓS O GOLPE MILITAR


Reportagens especiais mostram que o país ainda precisa superar o legado deixado pelo regime militar em setores como educação, economia e política e que a extrema direita ainda conta com grande representação na sociedade brasileira.

Passados 48 anos do golpe contra João Goulart, resta algo de ditadura
Educação elitizada, saúde privatizada, projetos de cultura abortados: o Brasil de 2012 não se livrou das heranças do golpe contra João Goulart em 1º de abril de 1964

Desigualdade no sistema educacional brasileiro é herança do período militar
Esvaziamento do ensino superior público divide opiniões, mas violência repressiva, falta de oportunidades e despolitização da sociedade surgem como símbolos do modelo deixado pela ditadura militar

Na saúde, ditadura começou abertura ao setor privado
Transferência de recursos públicos para empresas privadas deu início à montagem de um sistema que ainda hoje dificulta a prestação do atendimento gratuito

Para Chauí, ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública


Na USP, cinco décadas após o golpe, a ditadura volta a dar as caras
Respaldado por um estatuto que completa 40 anos, o reitor João Grandino Rodas administra a mais importante universidade brasileira de maneira autoritária e truculenta

Duddu Barreto Leite: "Se abandonei o teatro, foi por perseguição política"


Militares pró-64 intensificam ofensiva ideológica iniciada no governo Lula


Memórias de abril e o golpe da informação
Historiador da CIA revela como ideias e recursos dos EUA seduziram a imprensa brasileira nos anos 1950 e semearam o golpe. Hoje, ainda, não se pode piscar diante do apetite voraz da direita – a colonizadora e a colonizada

Um quebra-cabeça para reconstruir a história das ditaduras
Encontro entre hoje e domingo em Porto Alegre vai analisar as várias dimensões e entraves para reconstruir a história das ditaduras, da luta para derrubá-las e dos esforços para identificar e punir violadores dos direitos humanos

Tuna Dwek: 'Tem muita gente que está morta há muito tempo, porque foi calada pela ditadura'


Sérgio Ricardo: 'A ditadura deixou o medo de transformação como herança'


Especial 1964: resquícios da ditadura, 48 anos após o golpe militar
Reportagens especiais mostram que o país ainda precisa superar o legado deixado pelo regime militar em setores como educação, economia e política e que a extrema direita ainda conta com grande representação na sociedade brasileira

Passados 48 anos do golpe contra João Goulart, resta algo de ditadura
Educação elitizada, saúde privatizada, projetos de cultura abortados: o Brasil de 2012 não se livrou das heranças do golpe contra João Goulart em 1º de abril de 1964

Após cusparada 'anti-64', manifestantes são alvos de ameaças de morte na internet
“Os caras têm armas. Divulgaram nossa rotina, é perfeitamente possível a gente esbarrar com algum deles. Estamos preocupados porque sabemos do que são capazes de fazer”, diz ativista

FONTE: 
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/especiais/especial-1964-resquicios-da-ditadura-48-anos-apos-o-golpe-militar

segunda-feira, 26 de março de 2012

MANIFESTO CONTRA A "PRIVATARIA (TAMBÉM) DA CULTURA"


Venha se manifestar contra a privataria da Cultura!

Ato acontece no dia 3 de abril, terça-feira, no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo. Entidades denunciam desmonte geral da rádio e TV Cultura, defendem retomada de programas extintos, democratização do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, pluralismo, diversidade na programação e uma política transparente e democrática para abertura à programação independente.

As rádios e a TV Cultura de São Paulo se consolidaram historicamente como uma alternativa aos meios de comunicação privados. As rádios AM e FM ficaram conhecidas pela excelente programação de música popular brasileira e de música clássica. A televisão criou alguns dos principais programas de debates de temas nacionais, como o Roda Viva e o Opinião Nacional, e constituiu núcleos de referência na produção de programas infantis e na de musicais, como o Ensaio e o Viola, Minha Viola. As emissoras tornaram-se, apesar dos percalços, um patrimônio da população paulista.

Contudo, nos últimos anos, a TV e as rádios Cultura estão passando por um processo de desmonte e privatização, com a degradação de seu caráter público. Esse e outros fatos se destacam:

- mais de mil demissões, entre contratados e prestadores de serviço (PJs);

- extinção de programas (Zoom, Grandes Momentos do Esporte, Vitrine, Cultura Retrô, Login) e tentativa de extinção do Manos e Minas;

- demissão da equipe do Entrelinhas e extinção do programa, sem garantias de que ele seja quadro fixo do Metrópolis;

- aniquilação das equipes da Rádio Cultura e estrangulamento da equipe de jornalismo;

- enfraquecimento da produção própria de conteúdo, inclusive dos infantis;

- entrega, sem critérios públicos, de horários na programação para meios de comunicação privados, como a Folha de S.Paulo;

- cancelamento de contratos de prestação de serviços (TV Justiça, Assembleia e outros);

- doação da pinacoteca e biblioteca;

- sucateamento da cenografia, da marcenaria, de maquinaria e efeitos, além do setor de transportes.


Pela sua composição e formato de indicação, o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta não tem a independência necessária para defender a Cultura das ações predatórias vindas de sua própria presidência. Mesmo que tivesse, sobre alguns desses pontos o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta sequer foi consultado.

Não podemos deixar esse patrimônio do povo de São Paulo ser dilapidado, vítima de sucateamento promovido por sucessivas gestões sem compromisso com o interesse público, seriamente agravado na gestão Sayad.

Nesse momento, é preciso afirmar seu caráter público e lutar pelos seguintes pontos:

- Contra o desmonte geral da rádio e TV Cultura e pela retomada dos programas.

- Em defesa do pluralismo e da diversidade na programação.

- Por uma política transparente e democrática para abertura à programação independente, com realização de pitchings e editais.

- Pela democratização do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta


ATO CONTRA A PRIVATARIA DA CULTURA

3 de abril, terça-feira, às 19h

Sindicato dos Engenheiros de São Paulo

Rua Genebra, 25 – Centro (ao lado da Câmara Municipal)


Gilberto Maringoni
Hamilton Octavio de Souza
Ivana Jinkings
Joaquim Palhares – Carta Maior
Laurindo Lalo Leal Filho
Luiz Carlos Azenha – blog Vi o Mundo
Luiz Gonzaga Belluzzo
Renato Rovai – Revista Fórum e Presidente da Altercom
Rodrigo Vianna – blog Escrevinhador
Wagner Nabuco – Revista Caros Amigos
Emir Sader
Flávio Aguiar

Altercom - Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação

Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

CUT – Central Única dos Trabalhadores

Frente Paulista pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social



FONTE: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19836

quinta-feira, 8 de março de 2012

HADDAD ELENCA DESAFIOS DA CIDADE DE SÃO PAULO

Convidado do MB em Debate Especial, pré-candidato à prefeitura destacou também avanços
obtidos pelo ministério da Educação nos governos Lula e Dilma

São Paulo - Espaço de cidadania, o MB em Debate Especial, programa de webtv do Sindicato, proporcionou aos bancários a oportunidade de debater os problemas da cidade de São Paulo e conhecer um pouco dos projetos implantados pelo ex-ministro da Educação e pré-candidato a prefeitura Fernando Haddad. O programa, comandado pela presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, foi transmitido ao vivo na noite desta terça-feira dia 6.

Haddad destacou os avanços obtidos pelo ministério da Educação nos governos Lula e Dilma e os desafios de solucionar os problemas da maior cidade do país. “Historicamente pouco se investia em educação no nosso país. O governo Lula mudou esse panorama e praticamente quadruplicou o orçamento contemplando todos níveis”, disse.

O ex-ministro lembrou que para capital paulista foram direcionadas mais de 100 mil bolsas do Prouni (programa que garante financiamento para jovens estudarem em universidades particulares). “Já são mais de 200 mil diplomados pelo programa e, além disso, dobramos também as vagas nas universidades federais”, afirmou, ressaltando que o programa é intraorçamento, ou seja, é uma troca de tributos por bolsas que já chega a mais de um milhão em todo o Brasil.

Haddad destacou também a criação do piso nacional para professores, que ainda não conseguiu atingir todos os estados e municípios e fez uma comparação de quando Getúlio Vargas criou o salário mínimo. “Na época, nem todos cumpriam o valor estabelecido, mas com o tempo todos passaram a adotar. O processo com o piso nacional dos professores é a mesma coisa, com o passar dos anos todos vão se habituar a cumprir”, afirmou, salientando que sem professor não há bons profissionais. “Se essa categoria não for valorizada, não temos futuro.”

O pré-candidato explicou que a União multiplicou por dez o que aporta no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), para que não haja desculpa para o não pagamento do piso. “Passamos de R$ 1 milhão para R$ 10 milhões.”

Convidados – Além dos bancários que puderam fazer perguntas ao convidado especial, o programa abriu espaço também para agentes da sociedade que abordaram questão de interesse da cidade de São Paulo.

Por meio de um vídeo gravado, o Padre Júlio Lancelotti questionou o pré-candidato à prefeitura sobre qual espaço os moradores de rua terão num eventual governo de Haddad.

O ex-ministro criticou a atual política do atual prefeito Gilberto Kassab de fechar os albergues da região central e espalhar para os bairros periféricos e propôs investimentos em moradia. “O morador de rua está em busca de uma atividade econômica. E aqui no centro está concentrada essa atividade. Ao espalhar os albergues pelos bairros periféricos, essa alternativa é retirada dele. A solução é investir em moradia, coisa que atualmente não se faz em São Paulo.” O município, inclusive, teve de devolver recursos não aplicados em habitação. “Foram construídas somente 7 mil moradias em sete anos. Há 20 mil famílias recebendo bolsa aluguel e nenhuma construção programada”, relatou  Haddad. E lembrou de projetos criados na gestão petista de Marta Suplicy, que cuidavam da população de rua e foram abandonados, como o Boracéia. “Um projeto de grande generosidade, exemplar, com uma visão humanitária.”

O blogueiro Eduardo Guimarães também participou do programa e chamou de insana a política social de Kassab, criticando especialmente a expulsão dos doentes da cracolândia. Haddad respondeu que a ação foi descoordenada – só polícia, sem agentes de saúde – e lembrou que um problema que existe há mais de 20 anos quiseram resolver em 20 dias.

A presidenta do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo, Irene Batista Paula, mencionou, em sua pergunta, a falta de diálogo do atual prefeito com o funcionalismo. Haddad ressaltou a experiência positiva que teve à frente do ministério da Educação, com a manutenção de negociações permanentes com os servidores federais. “Construímos dinâmica de bom relacionamento e respeito.”


Mobilidade – A questão do transporte público e da mobilidade urbana foi ressaltada durante o programa. “O tempo médio de deslocamento na cidade é de cerca de duas horas e meia. Esse é um dos problemas que mais afetam a qualidade de vida dos bancários”, disse Juvândia, lembrando que São Paulo tem a tarifa de ônibus mais cara do país e o terceiro maior orçamento – perdendo somente para a União e o estado de SP.

Haddad informou que com o ritmo atual de investimentos em metrô, por exemplo, São Paulo vai demorar cerca de 65 anos para chegar à malha da Cidade do México, atualmente com 202 km, e já não tem trânsito bom. E sugeriu a retomada dos investimentos em transporte multimodal, ou seja, uma combinação entre os diversos meios de locomoção como corredores de ônibus, metrô e ciclovias. “A atual gestão abandonou os investimentos em corredores de ônibus. A cidade de São Paulo não está equilibrada em relação à locomoção.”

O pré-candidato à prefeitura também criticou a falta de creches – são 164 mil crianças desassistidas, apesar de ser um dos compromissos de campanha de Kassab zerar esse déficit. “Isso não é visto pela atual administração com o devido caráter de urgência.”

Nas considerações finais a presidenta Juvandia Moreira fez um histórico da luta dos bancários em relação às portas de segurança e das ações do Sindicato na esfera municipal e estadual – quando encampou projetos de lei na Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa, que obrigariam as instituições financeiras a implantar o equipamento de segurança. O projeto foi vetado pelo prefeito Kassab e pelo governador Serra. Haddad se comprometeu a estudar a questão de interesse da categoria e se colocou à disposição para novos debates.